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Investigação

  Investigação Europeia
INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA EUROPEIA
É importante saber qual o nível de incidência do assédio moral no trabalho pois a sua magnitude determinará a amplitude e natureza das medidas a tomar no sentido da sua prevenção.Neste sentido, os diversos estudos europeus têm procurado aferir os níveis de incidência deste fenómeno, a sua duração, aspectos de género e número, estatuto das vítimas e agressores e categorias homogéneas de comportamentos.Antes de mais, cabe aqui salientar que não é fácil chegar a números fiáveis pois os estudos que têm vindo a ser realizados utilizam definições e metodologias diferentes, com impacto directo nos resultados obtidos. Deste modo, os diversos estudos têm revelado uma extensa variação nas taxas de incidência apuradas, desde 2% - 5% nos países escandinavos até 55% na Turquia. De forma resumida, e considerando em conjunto todos os estudos empreendidos até à data, podemos dizer que a taxa de incidência do assédio moral de carácter severo (de ocorrência regular) na Europa ronda um valor entre 1 – 4%, de acordo com uma definição apresentada aos inquiridos; para casos menos severos (isto é de ocorrência ocasional) a taxa de incidência será mais elevada, entre 8 – 10%; adicionalmente, a informação obtida em estudos que apenas avaliam se ocorrem comportamentos socialmente negativos no local de trabalho sugere que em muitas organizações cerca de 20% dos inquiridos estão sujeitos a actos socialmente negativos e hostis de forma ocasional (Zapf et al., 2011). De acordo com o V Inquérito Europeu sobre as Condições de Trabalho realizado em 2010, verifica-se que 1 em cada 25 trabalhadores (4%) são alvo de comportamento de assédio moral (“bullying”), registando-se um nível de incidência mais elevado no género feminino, nos sectores da educação, saúde e serviços sociais, hotelaria/restauração e nas empresas de grande dimensão (Parent-Thirion et al, 2012). É de referir que, as diferenças encontradas nos níveis de incidência podem reflectir diferenças metodológicas, diferenças reais entre os países relativamente aos níveis de incidência de assédio moral, diferentes níveis de consciencialização do fenómeno ou ainda diferenças culturais.
Relativamente às outras dimensões do fenómeno, e começando pela duração, os estudos realizados têm revelado que o assédio moral reveste a forma de um conflito que perdura no tempo. Assim, a partir de estudos realizados em amostras de grande dimensão, os autores chegaram a uma duração média de 15 e 18 meses, respectivamente; adicionalmente, num estudo realizado no Reino Unido, incidindo sobre uma amostra de grande dimensão, abrangendo diversos sectores de actividade, 39% das vítimas foram alvo de assédio por um período superior a 2 anos e noutro estudo realizado na Finlândia, 29% das vítimas foram alvo de assédio por um período compreendido entre 2 – 5 anos e 30% por um período superior a 5 anos. Na generalidade dos casos os números encontrados permitem concluir que o assédio é um processo de duração longa e que se arrasta no tempo, e que de facto “deita abaixo” os indivíduos que dele são alvo. Relativamente à dinâmica do processo, existe alguma evidência de que o assédio se torna mais severo à medida que o tempo decorre: estudos realizados por investigadores noruegueses e alemães mostram que os comportamentos de assédio ocorriam com mais frequência à medida que aumentava a duração do processo de assédio.
No que se refere ao género das vítimas, na maioria das amostras, a proporção é de 2/3 de vítimas do sexo feminino e 1/3 do sexo masculino; no entanto, de acordo com alguns estudos escandinavos e com o estudo realizado no Reino Unido atrás referido, surge uma proporção mais equilibrada entre homens e mulheres. Na interpretação destes resultados haverá que ter em conta alguns aspectos, nomeadamente: estrutura da amostra, características da segregação do mercado de trabalho em termos de género, maior predisposição das mulheres para responderem a questionários e aspectos sectoriais específicos. Relativamente ao género dos agressores, os homens parecem estar sobre-representados enquanto agressores na maioria dos estudos realizados, desempenhando os supervisores um papel de destaque na ocorrência de assédio, o que se deve ao facto do género masculino estar mais representado em posições de chefia e o assédio moral ser na generalidade dos casos um fenómeno descendente; é ainda referido que enquanto as mulheres são assediadas maioritariamente só por homens ou só por mulheres, o género masculino tende a ser alvo de comportamentos de assédio tanto por parte de homens como por grupos de homens e mulheres. Em termos de número, verifica-se que na maioria dos estudos realizados, entre 20 – 40% dos casos, a vítima é assediada apenas por uma pessoa, e entre 15 – 20% dos casos existiam mais do que quatro agressores envolvidos. Finalmente, em termos de categorias de comportamentos homogéneos, embora se registem diferenças particulares entre os diversos estudos, de uma forma global parecem emergir de forma uniforme 4 categorias de comportamentos: (1) “medidas organizacionais afectando quer a vítima em termos pessoais quer as suas tarefas”, (2) “isolamento social”, (3) “agressão verbal” e (4) “espalhar rumores”, enquanto as categorias de “atacar as atitudes da vítima” ou “violência física” aparecerem apenas ocasionalmente. Logo, parece poder-se concluir que o assédio é primariamente uma forma de agressividade psicológica e não física; espalhar rumores parece ser dos comportamentos de assédio moral mais utilizados, talvez porque devido à sua natureza indirecta e subtil, pode ser aplicado sem revelar a identidade do agressor. Nos países em que se identificou o assédio como sendo fundamentalmente originado na hierarquia, medidas de assédio relacionadas com o trabalho parecem ser as mais frequentes, embora existam factores contextuais que influenciam a categoria comportamental mais frequente.
Em Portugal, e de acordo com os resultados obtidos no V Inquérito Europeu sobre as Condições de Trabalho, regista-se um nível de incidência de 6%, revelando o género masculino um maior nível de incidência destes comportamentos face ao género feminino (7% versus 5%). Em termos da investigação empírica realizada até à data sobre esta temática, embora escassos, existem já alguns elementos relativos a níveis de incidência deste fenómeno. Assim, de acordo com um estudo realizado por Cowie et al. (2000), foi encontrado um nível de incidência de 33,5%, numa amostra de 221 inquiridos de uma organização internacional sediada em Portugal. Adicionalmente, numa amostra constituída por 561 inquiridos do sector bancário, foi encontrado um nível de incidência de assédio moral de 5,9%, de acordo com a definição apresentada e de 39,8% de acordo com a listagem de comportamentos de assédio moral apresentada aos inquiridos (Verdasca, 2010). Esta autora realizou ainda um estudo em ambiente académico, numa amostra de 1.174 inquiridos, tendo chegado, de forma análoga, a um nível de incidência subjectivo de 5,9% e objectivo de 44,5%. (Verdasca, 2012); cabe referir, no entanto, que embora os resultados obtidos sejam semelhantes, o processo subjacente reveste-se de algumas particularidades: assim, se no sector bancário a maioria dos inquiridos foi alvo de assédio em conjunto com os seus colegas de trabalho, no ensino superior os inquiridos foram, na maioria dos casos, alvo de assédio moral de forma isolada e durante um período de tempo significativamente mais longo. Noutro estudo, realizado por Araújo, McIntyre & McIntyre (2008) foi encontrado um nível de incidência de 7,8%, numa amostra de 787 trabalhadores portugueses dos sectores dos serviços e da indústria. Adicionalmente, é de referir um estudo realizado por Serra et al. (2005), incidindo sobre uma amostra de 622 trabalhadores dos serviços postais portugueses (CTT) e do Hospital de Coimbra, em que foi encontrada uma taxa de incidência de 5,9%, os últimos 12 meses. Na análise dos resultados destes estudos, haverá que ter em conta as diferentes metodologias empregues bem como os diferentes contextos culturais e organizacionais em que foram realizados, dadas as suas repercussões nos níveis de incidência obtidos.

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