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Assédio Moral

  Consequ√™ncias a n√≠vel individual

A exposi√ß√£o prolongada a ass√©dio moral no local de trabalho tem sido classificada como uma fonte significativa de stress social e como um problema mais mutilador e destruidor para os indiv√≠duos que dele s√£o alvos do que todos os outros factores laborais geradores de stress, considerados em conjunto. Embora actos avulsos de agressividade possam ocorrer nas interac√ß√Ķes laborais quotidianas consideradas ‚Äúnormais‚ÄĚ, estes mesmos comportamentos parecem estar associados com graves problemas para a sa√ļde das pessoas, quando ocorrem de uma forma sistem√°tica e regular.

A exposi√ß√£o sistem√°tica a comportamentos de ass√©dio moral pode provocar nas v√≠timas problemas psiqui√°tricos, psicossom√°ticos e emocionais de uma forma global, podendo estas desenvolver, em alguns casos, uma sintomatologia semelhante ao stress p√≥s traum√°tico1. O facto de ser alvo de ass√©dio moral no local de trabalho parece transformar as percep√ß√Ķes das v√≠timas, n√£o s√≥ face ao seu ambiente de trabalho mas tamb√©m face √† vida em geral, em situa√ß√Ķes amea√ßadoras envolvendo medo, perigo e auto-questionamento, relativamente ao sentido da vida.

De forma geral, verifica-se que a ocorr√™ncia de ass√©dio moral no local de trabalho tamb√©m tem efeitos negativos nos observadores de tais situa√ß√Ķes, conduzindo a uma reduzida efici√™ncia organizacional, de forma generalizada, com especial destaque para: quebras de produtividade, percep√ß√£o de um clima de tens√£o elevada no local de trabalho, motiva√ß√£o reduzida para o trabalho, n√≠vel de stress acrescido e receio de se tornar v√≠tima de ass√©dio moral.

Parece existir, quer entre investigadores acad√©micos quer entre t√©cnicos de sa√ļde ocupacional, uma crescente consci√™ncia das consequ√™ncias negativas associadas a uma exposi√ß√£o sistem√°tica a comportamentos ofensivos, humilhares ou intimidativos, por parte de colegas ou superiores hier√°rquicos. Iremos focar nas consequ√™ncias a dois n√≠veis:
 

1) consequ√™ncias para a sa√ļde f√≠sica e psicol√≥gica das v√≠timas;

2) efeitos sobre a personalidade das vítimas.



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1) Consequ√™ncias para a sa√ļde f√≠sica e psicol√≥gica das v√≠timas

Nos diversos estudos realizados, verificou-se existirem diferen√ßas significativas, em termos de sa√ļde mental, entre v√≠timas e n√£o v√≠timas. Foi encontrada ainda, uma associa√ß√£o bastante forte entre a exposi√ß√£o a comportamentos derrogat√≥rios, ridicularizantes e ofensivos e relatos de mau estar psicol√≥gico. Verificou-se, adicionalmente, existir uma correla√ß√£o especialmente forte entre as vari√°veis de sa√ļde mental e a ocorr√™ncia de ataques personalizados de ass√©dio moral.

De acordo com estudos, baseados em amostras constituídas predominantemente por indivíduos vítimas de assédio moral, são referidos os seguintes efeitos negativos: reduzido bem-estar e reduzida satisfação no trabalho, sintomas de stress, problemas de sono ou insónias, ansiedade, dificuldades de concentração, fadiga crónica, cólera, depressão e vários problemas somáticos. Noutros estudos foram ainda encontrados sintomas de irritabilidade, ansiedade e depressão, baixa auto-confiança, baixa auto-estima e baixa produtividade; são ainda referidos sintomas de nervosismo, insegurança, desconfiança generalizada, estado de amargura, ódio de si próprio e pensamentos suicidas.

Os resultados apresentados mostram claramente que a exposi√ß√£o a actos de viol√™ncia psicol√≥gica no local de trabalho tem consequ√™ncias nefastas para as pessoas que dela s√£o alvo, em termos da sua sa√ļde mental, muito embora n√£o se possa estabelecer rela√ß√Ķes de causa-efeito, ou porque os estudos s√£o de natureza cl√≠nica ou porque t√™m por base ‚Äúdesigns‚ÄĚ de correla√ß√£o. Tipicamente, nos casos de amostras auto seleccionadas, geralmente constitu√≠das por v√≠timas de ass√©dio de longa dura√ß√£o, as consequ√™ncias para a sa√ļde parecem ser mais graves do que nos casos em que a amostra foi recolhida aleatoriamente.

Uma quest√£o particular que tem sido levantada por alguns investigadores desta √°rea, face √† sintomatologia apresentada pelas v√≠timas de ass√©dio moral de car√°cter severo (ou seja de dura√ß√£o superior a ‚Äú6 meses‚ÄĚ e com uma frequ√™ncia superior a ‚Äúpelo menos uma vez por semana‚ÄĚ), √© que estas possam sofrer de stress p√≥s-traum√°tico (PTSD). O diagn√≥stico de stress p√≥s traum√°tico refere-se a uma constela√ß√£o de sintomas de stress tipicamente exibido pelas v√≠timas de eventos excepcionalmente traum√°ticos, sendo os sintomas espec√≠ficos, de acordo com a American Psychiatric Association (APA, 2000): (1) reviver cont√≠nuo do evento traum√°tico, (2) estado de evitamento / entorpecimento e (3) estado de alerta. Diversos estudos t√™m proporcionado evid√™ncia no sentido de que muitos dos sintomas apresentados pelas v√≠timas de ass√©dio de longa dura√ß√£o se parecem com sintomas de stress p√≥s-traum√°tico.

No entanto, importa referir que um dos crit√©rios fundamentais, para que possa ser atribu√≠do o diagn√≥stico de PTSD, √© que as v√≠timas tenham sido alvo, ou tenham participado enquanto observadores, de um evento traum√°tico que tenha representado percep√ß√£o de morte ou amea√ßa, ou ainda uma inj√ļria grave √† sua integridade f√≠sica ou √† de outrem. Adicionalmente, elas t√™m que se ter sentido gravemente desamparadas, amea√ßadas ou aterrorizadas durante esse acontecimento2. Como na maioria dos casos isto n√£o se verifica, at√© porque o ass√©dio moral no trabalho √© constitu√≠do por comportamentos maioritariamente de natureza psicol√≥gica, n√£o √© poss√≠vel, na pr√°tica, atribuir √†s v√≠timas este diagn√≥stico de PTSD, sendo geralmente diagnosticadas como sofrendo de ‚ÄúDepress√£o‚ÄĚ ou de ‚ÄúDist√ļrbio de Ansiedade Generalizada‚ÄĚ.

Qualquer que seja o diagn√≥stico atribu√≠do, a quest√£o fundamental √© entender at√© que ponto o ass√©dio moral no local de trabalho pode ser destrutivo do ponto de vista psicol√≥gico. De acordo com a investiga√ß√£o realizada, a vitima√ß√£o devido a ass√©dio moral no local de trabalho pode n√£o s√≥ arruinar a sa√ļde mental dos empregados, como tamb√©m a sua carreira, estatuto social e a sua vida, de uma forma geral. A maior parte das v√≠timas de ass√©dio moral refere que a situa√ß√£o n√£o s√≥ afectou a sua sa√ļde f√≠sica e mental, como tamb√©m a sua personalidade, diminuindo drasticamente a sua qualidade de vida. Logo, pelo menos em alguns casos de maior gravidade, a exposi√ß√£o a comportamentos de ass√©dio moral no local de trabalho revela-se altamente traum√°tico.

2) Efeitos sobre a personalidade da vítima

Os efeitos negativos, associados à ocorrência de assédio moral, manifestam-se tanto em termos de comportamentos como de atitudes, tornando os indivíduos que deles são alvos menos capazes de lidar não só com as exigências do trabalho desempenhado, mas também com as exigências normais da sua vida quotidiana.

A personalidade da vítima de assédio moral pode estar relacionada com a ocorrência de assédio moral de diversas formas:

(1) Os tra√ßos de personalidade da v√≠tima podem aumentar a probabilidade desta exibir comportamentos que s√£o socialmente provocadores, conduzindo a conflitos interpessoais que podem evoluir para situa√ß√Ķes de ass√©dio;

(2) Os traços de personalidade podem influenciar a probabilidade de um indivíduo ser seleccionado para alvo de assédio moral;

(3) Os tra√ßos de personalidade podem ainda desempenhar um papel nas percep√ß√Ķes individuais de ser, ou n√£o, alvo de ass√©dio moral;

(4) Por √ļltimo, os tra√ßos de personalidade de um indiv√≠duo podem actuar como factores moderadores no relacionamento entre ass√©dio moral e reac√ß√Ķes individuais ao stress gerado.

Deste modo, a evid√™ncia emp√≠rica tem mostrado, por exemplo, que a auto-estima e a ansiedade social moderam o relacionamento entre a percep√ß√£o de ser alvo de ass√©dio e as consequ√™ncias para a sa√ļde, em termos psicol√≥gicos e psicossom√°ticos Outras vari√°veis como a afectividade negativa (raiva, c√≥lera, inveja), locus de controlo percepcionado, estilo de estrat√©gias utilizadas para lidar com o ass√©dio, entre outras, influenciam o grau em que as v√≠timas desenvolvem consequ√™ncias para a sa√ļde, como resultado de ass√©dio moral no trabalho.

Diversos investigadores argumentam que as v√≠timas de ass√©dio com sintomas de stress p√≥s-traum√°tico podem desenvolver mudan√ßas de personalidade relacionadas tanto com depress√£o como com dist√ļrbios compulsivos. De acordo com estes autores as v√≠timas com uma personalidade predominantemente obsessiva podem desenvolver uma atitude hostil e de desconfian√ßa generalizada, relativamente ao seu ambiente de trabalho e nervosismo cr√≥nico; adicionalmente, podem apresentar hipersensibilidade face a percep√ß√Ķes de injusti√ßa, revelando uma identifica√ß√£o compulsiva e patol√≥gica com o sofrimento dos outros. Outro comportamento compulsivo das v√≠timas de ass√©dio moral no local de trabalho √© o relato incessante das suas experi√™ncias enquanto v√≠timas de ass√©dio. Estes autores real√ßam que, estas caracter√≠sticas devem ser encaradas como estando relacionadas com a destrui√ß√£o da personalidade das v√≠timas de ass√©dio moral, e n√£o como fazendo parte de um conjunto de tra√ßos ‚Äúm√≥rbidos‚ÄĚ de personalidade pr√©-existentes.

Estas altera√ß√Ķes de personalidade, que se seguem a processos de vitima√ß√£o, podem mediar o relacionamento existente entre a exposi√ß√£o a comportamentos de ass√©dio e as consequ√™ncias para a sa√ļde. Assim, n√£o s√≥ podem aumentar o n√≠vel geral de ansiedade dos indiv√≠duos, como podem propiciar a utiliza√ß√£o de estrat√©gias de defesa menos eficazes e, portanto, uma menor capacidade dos indiv√≠duos se defenderem numa situa√ß√£o de ass√©dio moral.

1 diagnóstico frequentemente utilizado para descrever o padrão de sintomas desenvolvido pelas vítimas de acontecimentos altamente traumáticos tais como desastres naturais, assalto violento, rapto ou tortura.

2 Este é um dos critérios-chave da escala DSM-IV-TR (DIAGNOSTIC AND STATISTICAL MANUAL OF MENTAL DISORDERS.) que mede a ocorrência de stress pós traumático (A.P.A., 2000)

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